
Eu passo. Pois se o dia está de sol e no parque as sombras brincam num jogo de esconde, esconde… Se ainda é o tempo destes serem os passeios felizes, expectantes… Os passeios coloridos. Eu passo e quase não reparo. Não é o tempo da dor. Já capturei outros homens, outras dores. Mas não hoje. Não aqui. Este é (já alguém o disse) um lugar de afectos.
Algo me faz parar. O peso da câmara, talvez. É terrível. Só quem o sente mesmo, sabe até onde nos condiciona. A câmara é outro par de olhos que, muitas vezes, quer ver exactamente o contrário do que nós pensamos querer. Eu paro. E a dor fica. Captada com pudor, com tristeza. Fica em mim.