terça-feira, setembro 30, 2008

Matemática




Acordo na hora em que a dúvida me apresenta o problema como o único som, no silêncio sem retorno. Analiticamente revejo tudo. Calculo probabilidades com o enorme bias do que desejo. Sacudo a angústia oportunista que tenta entrar na equação, mordendo por dentro nos momentos certos. Deixo que o dia entre para me atolar na certeza de que errei os cálculos em qualquer passo. Talvez me falte alguma variável. Ou apenas um valor (in)constante que introduz um desvio nos resultados. Dia após dia, refaço cálculos sem chegar a uma solução. Sempre que desisto por cansaço, o valor de X foge por entre os espaços calados. Fica um riso trocista, único valor residual que consigo alcançar.


Imagem: cortesia do Google

24 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Um erro integral é mais que suficiente para que o resultado seja uma derivada... eheheh...
Adorei o teu texto. Muito criativo.
Beijinhos.

CNS disse...

Porque oscilamos na nossa existência num universo de dimensões infinitas... com infinitas e insondáveis variaveis.
Muito bom!

Um beijo

daniel disse...

Maria Laura

Tens cá uma maneira de ver e apresentar as coisas! Acabo por reflectir, já que sou muito dado a reflexões. Se por um lado aprendem-se outras experiências, por outro lado não sei não.
O melhor é afiar um sorriso e desta vez rir contigo e troçar da vida.
Beijo,
Daniel

Violeta disse...

Maria Laura
este é o texto que melhor espelha o meu sentir. Obrigada!

heretico disse...

matemática na sua espressão poética. mais pura...

- a que não cabe am cálculos!

gostei muito. beijos

Pelos caminhos da vida. disse...

Olá amiga!

Poesia expressada através da matemática,fabuloso,gostei.
Gostei tb da sua visita.
Retorne mais vezes,serás bem vinda.
Um gde abraço.

beijooo.

rosasiventos disse...

pra mim o valor de x é claro como água :)




beijo

hfm disse...

O riso da incógnita que continuará sempre a fustigar-te.

Licínia Quitério disse...

Que outra pode ser a matemática da vida senão a sedução da incógnita, a tendência inevitável para o infinito...

Abraço.

rosasiventos disse...

ex - ito - miau - ma - cio

ro - lo - bola

dou - ble

do - bo cauda - nu - velo

-

ou -



- tr o



~

O Profeta disse...

E pintas-te a matemática...


Doce beijo

Twlwyth disse...

A dúvida que (nos) consome.

Parabéns pela originalidade matemática. :)

Beijo

JPD disse...

A coerência do nosso quotidiano reforçar-se-á se a montanha de dúvidas que nos assola puder ser equacionada e matematicamente enquadrada num paradigma que a acentue, dar-nos-á garantias de bem estar, beleza e harmonia.

E não vejo qualquer problema que o «xis» seja risonho.

Bjs

TCHI de Tchivinguiro disse...

Pode ser que seja só um ligeiro desvio no padrão.

Gostei muito do ensaio. Muito, mesmo.

Beijinhos, Maria Laura.

É tempo de vindima :)

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Laura, também nunca fui boa na matemática...
Querida:
Por motivos de foro íntimo, não sei quando poderei voltar a publicar, por isso postei hj, mas todo dia ligarei o computador para ver se vocês têm vindo prestigiar-me.
Um beijo,
Renata
wwwrenatacordeiro.blogspot.com

Oliver Pickwick disse...

Ora, Maria Laura, não esquenta! Foi preciso mais de três séculos para demonstrar o teorema de Fermat.
Um beijo!

dona tela disse...

Tenho um novo projecto.
Dê-me a sua opinião, se faz favor.

~*Raíssa Sant'Anna*~ disse...

Não gosto da matemática...
Mas em teu poema, ela ficou linda.
Sempre belo aqui.
Bom fim de semana

Késia Maximiano disse...

Pura poesia...

Bjão

Mateso disse...

Não estará a incógnita na esquina variável do amanhã...?
palavra-matemática de sílabas derivadas, um belo texto o teu.
Bj.

mena m. disse...

As equações da matemática da vida!

Beijinho

Su disse...

gostei de ler..............

----fica um riso trocista----------------



jocas maradas

M. disse...

Muito interessante este teu modo de falar da Vida. Gostei muito.

Esquissos disse...

Interessante o modo como a matemática pode ser uma metáfora da vida... Conseguiste-o muito, muito bem! Parabéns,

Draco